Gilsons reiteram no show 'Eu vejo luz' a evolução exposta no segundo álbum
O grupo Gilsons mostra forte conexão com o público na estreia carioca da turnê 'Eu vejo luz' Rodrigo Goffredo ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Eu vejo luz Arti...
O grupo Gilsons mostra forte conexão com o público na estreia carioca da turnê 'Eu vejo luz' Rodrigo Goffredo ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Eu vejo luz Artista: Gilsons Data e local: 1º de maio de 2026 no Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: ★ ★ ★ ★ ♬ Quase no fim do primeiro show no Rio de Janeiro (RJ) da nova turnê dos Gilsons, “Eu vejo luz”, o trio celebrou no palco da casa Vivo Rio o fato de ter tocado todas as dez músicas do recém-lançado segundo álbum de estúdio, “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” (2026), disponível desde 4 de março. Foi de fato uma proeza. Na estreia carioca da turnê mundial que chegou à cena em Salvador (BA) no sábado passado, 25 de março, Francisco Gil, João Gil e José Gil seguiram o roteiro da estreia do show na Bahia e bancaram o irretocável álbum em que o grupo carioca refina o som, transitando entre o lirismo e a leveza. Em cena desde 2018, o trio virou o disco e foi além da bem-sucedida receita do álbum de estreia, “Pra gente acordar” (2022), trabalho que fez dos Gilsons um fenômeno de popularidade juvenil na cena musical brasileira com som contemporâneo, com os beats da geração do trio, mas essencialmente enraizado na música pop afro-baiana, na batida do tambor. Pela recepção do público à medida em que o trio seguiu o roteiro aberto com “Zumbido” (João Gil, 2026), ficou evidente que as músicas do primeiro álbum ainda surtem maior efeito na plateia – o que somente realça a coragem dos Gilsons na valorização do repertório do disco novo – mas também ficou claro a forte conexão do trio com um público majoritariamente jovem. Em sintonia com o título “Eu vejo luz ”, o show resultou belamente iluminado. Há um apuro visual na luz (e na exposição dos vídeos) condizente com a evolução dos Gilsons em oito anos de existência do grupo. Se guardou para o bis o grande hit “Várias queixas” (Germano Meneghel, Afro Jhow e Narcizinho, 2012), música do Olodum da qual se apropriou no single seminal de 2018, o trio logo cantou “Love Love” (João Gil, José Gil e Julia Mestre), outro hit desse primeiro single dos Gilsons. Terceira música do roteiro, “Love Love” ganhou coro espontâneo e caloroso do público que encheu a pista e os camarotes da casa Vivo Rio, exemplificando a comunhão do trio com o público. O grupo Gilsons já caminha há anos com as próprias pernas e músicas, sem recorrer ao patriarca da família, Gilberto Gil, gigante da MPB, presente em um dos camarotes na estreia carioca da turnê. Sim, João Gil é o neto mais velho de Gilberto Gil. José Gil é o filho mais novo do patriarca. Já Fran Gil, além de neto de Gil, é filho único de Preta Gil (1974 – 2025), cantora celebrada pelo trio ao voltar para o bis. Como visto no palco da casa Vivo Rio, os três integrantes do grupo cantam e tocam violão e/ou guitarra. Contudo, ladeando o trio em cena, havia uma big banda com músicos como os percussionistas Luizinho do Jêje e Ricardo Guerra, instrumentistas fundamentais na arquitetura do som dos Gilsons, em cena e nos estúdios, pela força dos atabaques no show “Eu vejo luz”. Uma banda com sopros, percussões, violões e guitarras. Seja na cadência do ijexá que moveu “Eu vejo lá” (Fran Gil, João Gil e José Gil, 2022), seja no canto em falsete que adensou “Desejo” (Francisco Gil, João Gil e José Gil, 2026), o trio soube harmonizar no roteiro os repertórios de singles avulsos e dos dois álbuns de estúdio, tão afins, mas ao mesmo tempo tão diferentes. Entre luzes e sombras, estas mais diluídas em cena pela própria natureza festiva do show, “Vento alecrim” (José Gil e Luthuly, 2019) espalhou leveza romântica em sintonia com o tom acariciante de “Bem me quer” (Narcizinho Santos e Jocimar Lopes Cunha, 2016), música do álbum “Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão” que mais evoca o espírito pop do discos antecessor “Pra gente acordar”. Obra-prima do repertório do segundo álbum de estúdio do trio, “Minha flor” (João Gil e Arnaldo Antunes, 2026) desabrochou sem todo o lirismo camerístico da gravação do disco, feita pelos Gilsons com Caetano Veloso, Moreno Veloso e Tom Veloso. Em contrapartida, o canto de “Algum ritmo” (2021) – parceria dos Gilsons com a banda Jovem Dionísio – provocou efeito catártico na plateia. Enfim, o repertório autoral do grupo soa como um bálsamo na era do pop tatibitate em voga no mainstream. A turnê “Eu vejo luz” corrobora o progresso dos Gilsons e aponta um caminho longo e iluminado para o trio. João Gil (à esquerda), Fran Gil (ao centro) e José Gil harmonizam músicas dos dois álbuns de estúdio do trio no roteiro do show 'Eu vejo luz' Rodrigo Goffredo